Conheço muitos cavaleiros de muitas modalidades esportivas. Do salto ao
pólo, do CCE a rédeas, do laço ao enduro. Costumo observar muito as pessoas não somente quando em provas, mas principalmente em seus centros de treinamento ou hípicas, trabalhando os cavalos. Aliás, quando em provas, penso que o melhor local para se olhar um cavaleiro é no aquecimento e não somente na pista em si. Passo horas vendo cada cavaleiro e cada cavalo executando manobras, fazendo correções, apresentando um novo exercício, enfim, fico “estudando” um pouco cada situação destas e tentando tirar algo para meus cavalos. Em 100% das vezes, consigo levar para casa algo novo que aplico em meus cavalos.
Nestas observações, percebo 2 tipos distintos de cavaleiros: os pilotos e os
cavaleiros dos “por quês”. Os pilotos são aqueles que não se preocupam muito com o que está acontecendo em termos mecânicos e biomecânicos, em termos físicos e de movimento, e obviamente com os aspectos “mentais” que tanto cito em meus textos. São aqueles que praticam o esporte meio que “automaticamente”, seja por experiência (ou na maioria das vezes falta dela...).
Vejo muito disso em cavaleiros que são funcionários fixos de haras ou centros de treinamento. Estão mais preocupados com o resultado em si do que com a forma de se alcançar o resultado. Os cavaleiros dos “por quês” são mais preocupados com as formas, o processo, o caminho a ser percorrido para se chegar a um resultado. Questionam, trocam informações, pedem para outras pessoas montarem, trocam equipamentos visando o conforto do cavalo e o maior rendimento, estudam e batem cabeça. Mas, às vezes, tentam buscar informações não relevantes, como por exemplo “por que meu cavalo não teve a vontade de
virar o pescoço para direita quando pedi...”. Lembre-se que nada disso em a ver com técnica e talento. Muitos talentosos são cavaleiros dos “por quês”, assim como muitos técnicos são pilotos. E ainda, conheço muitos pilotos que ganham, muitos que não ganham, valendo o mesmo para o outro tipo de cavaleiro.
Então, isso tudo nos mostra que o equilíbrio entre estes dois tipos de cavaleiros talvez seja algo mais razoável para os cavalos. Os pilotos devem buscar mais informações e os cavaleiros dos “por quês” devem não tentar achar soluções para coisas que às vezes são muito fora da realidade de treinamento e vida dos cavalos.