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 Crônicas
Controle
 

      Recebi um vídeo de uma prova nos EUA. Era o Potro do Futuro de Rédeas, onde também existiu uma prova chamada Free Style. Nesta prova, os participantes poderiam se fantasiar ou criar um cenário, enfim, poderiam usar da imaginação para demonstrar seus cavalos em um percurso de rédeas. Uma música começou a tocar, entra na pista uma pessoa montada em um cavalo. Chapéu, lenço na cara como os bandidos dos filmes, um laço na sela. Entrou em um trote calmo, parou no meio da pista, fez um giro (spin) para a esquerda, outro para a direta. Saiu ao galope à mão esquerda, em um círculo grande, em alta velocidade. No centro da pista diminuiu a velocidade, fez um círculo pequeno, trocou os pés indo para a direita e fazendo o mesmo novamente. Fez 3 esbarros de qualidade e terminou sua pista recuando por toda a arena, que contava naquele momento com mais de 4000 pessoas aplaudindo em pé a demonstração.

     

      Tudo isto parece até ser comum e simples, em se falando de uma prova de rédeas, especialmente no Potro de Futuro. Mas, o que mais impressionou foi que tudo isto foi feito com um cavalo arreado de sela, e com a cabeça limpa, sem nada. Não existia ali cabeçada, embocadura ou qualquer cordinha no pescoço, quando mais rédea. Todo o controle era feito com o corpo do cavaleiro. Direção, velocidade, curvas, os esbarros, enfim, todo o que aconteceu foi feito com uma boa equitação, um bom equilíbrio e uma perfeita sintonia entre cavalo e cavaleiro. Mas, não é somente deste controle que devemos nos atentar. Imagine uma arena com mais de 4000 pessoas, recinto fechado, público muito perto da pista, som, barulhos vindos de toda a parte, e aquele cavalo no meio disso tudo... o controle que costumo chamar de mental, concentrado, unindo-se ao autocontrole do cavaleiro, fez daquele conjunto uma coisa só, muito fechada e muito comprometida. O mais bonito da apresentação não é a pista em si, mas sim a calma, a tranqüilidade, a serenidade e a responsabilidade que aquele cavalo passou aos que lhe assistiam. Impressionante e agradável, calmo e ágil, sério e ao mesmo tempo parecendo uma brincadeira agradável, compenetrado e concentrado no trabalho, fazendo com que todos enxergassem que, apesar do volume de gente, dos sons, dos fatores todos, cavalo e cavaleiro estavam como em uma bolha ou redoma de vidro. Comprometidos com o controle e com o sucesso de uma parceria. Com ou sem rédeas, com ou sem sela, com ou sem gente...

Aluisio Marins é colaborador do nosso site desde 18/02/2006 e já possui 64 publicações em nosso Portal nas categorias: Crônicas, Doma, Saúde, Nutrição e Negócios
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