O momento do cavalo é bom para todas as raças, para algumas melhor, para outras um pouco menos, mas generalizando e sem entrar em minúcias, o vento vem batendo a favor dos cavalos nos últimos anos. Isto passa confiança e muita expectativa de lucros em todos os segmentos do nosso mercado. Criadores vendem mais, vendedores comercializam mais cavalos, empresas vendem mais produtos, enfim, temos um cenário positivo. Com tudo isto, algumas empresas e associações de raça estão cometendo alguns pequenos deslizes quase que não percebíveis. Em minha opinião, o principal erro está na certeza. Certeza de que a uma raça vai bem e vai ficar bem por muito tempo, certeza de que é a raça mais bonita, mais completa, mais perfeita, certeza de que o sucesso de hoje tende a se arrastar por longos anos, certeza de que tudo vai bem quando se está vendendo bem. Obviamente que tudo isto é bom, que o cavalo brasileiro, independente de raça, vai bem e com moral no mundo todo, e que o momento é bom. E é exatamente por isso que as associações não podem se acomodar ou simplesmente deixar com que sua raça caia no golpe de que “tudo está bem, então não precisamos fazer muito”. É exatamente agora que uma associação tem que fazer o dobro do que sempre fez! Orientar pequenos criadores, saber prestar serviços, formar juízes novos, atualizar o quadro de técnicos refrescando os julgamentos e registros. Da parte dos criadores, um maior envolvimento nas associações, nas opiniões e idéias. Além de feio, são nada produtivas as “conversas de prova” onde se fala mal de tudo e quando o presidente chega tudo está bem... Se um criador tem algo a dizer, a reclamar, a opinar, que o diga em reuniões, de forma aberta, sem pender a balança para seu lado, mas sempre visando o crescimento da raça. Ele deve ser o mais interessado neste crescimento, seja pequeno, médio ou grande!
Lembremos que uma geração de potros se mostra com no mínimo 3 anos, salvo uma ou outra raça que tem comércio para potros mais jovens, e que, os potros vendidos hoje não garantem o sucesso dos potros do futuro próximo. Os cruzamentos devem ser estudados pela qualidade, não pela beleza ou somente pela genética. O cuidado que as associações de raça, assim como as empresas e todos que vivem do cavalo devem ter é o de não deixar a empolgação e o entusiasmo se transformarem na certeza absoluta de que tudo vai ser assim sempre. No mundo dos cavalos muitos fatores são relevantes para o sucesso, e o primeiro deles é a própria genética que garante apenas 50% de chances de um potro se bom...