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 Crônicas
Cavalo Crioulo
 

     Daqui há pouco mais de uma semana, ou seja, na próxima sexta-feira, inicia o Freio de Ouro 2006, edição comemorativa aos 25 anos da prova, a qual integra a programação da Expointer, uma das maiores exposições do setor primário do mundo.

     

      Ali no “parque do Esteio” estarão a seleção dos expoentes da raça crioula concorrendo à morfologia da feira, além dos 88 animais classificados que disputarão o galardão máximo no quesito funcional. E esta prova, em data comemorativa, é assunto atualíssimo.

     

      Voltando a história, o primeiro Freio, realizado em 1982, deu-se em comemoração ao cinqüentenário da ABCCC, fundada no longínquo ano de 1932. Na primeira prova, diferentemente dos dias atuais, onde temos 11 classificatórias, inclusive 2 etapas internacionais, o evento contou com a participação de apenas 12 animais na finalíssima em Esteio, classificados em exposições de outono realizadas nas cidades de Uruguaiana, Pelotas, Jaguarão e Bagé. Naquela oportunidade, em que foi vencedor o cavalo rosilho, “Itaí Tupambaé”, do criador em Dom Pedrito, Osvaldo Dornelles Pons, um dado histórico há de ser ressaltado: dos 12 animais participantes da prova final, 8 eram fêmeas. Eis os animais finalistas naquele ano: BT Pampeana, Chacay Sombra, Sota do Aceguá, BT Melindrosa, Dendeca Crioulo, Sobra do Coqueiro, Chula do Reponte, Rapadura do Aceguá, BT Ópio, Itaí Tupambaé, Neco de São Bibiano e Naipe Cardeal.

     

      Assim, o primeiro Freio de Ouro teve grande repercussão, como atesta título da matéria sobre a prova, constante da Revista Raça Crioula, Ano 7, n° 1, de 1983: FREIO DE OURO FOI SUCESSO ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Diz a reportagem: “O prêmio especial FREIO DE OURO, instituído em homenagem aos sócios fundadores da ABCCC, pela passagem do Jubileu de Ouro, no ano passado, assumiu tamanho sucesso em todos os aspectos da eqüinocultura, que se transformou, por decisão dos associados, em um dos principais eventos da raça.” ... “Quando submetidos a mostrar suas qualidades crioulas aos jurados, os animais transformaram-se em espetáculo provocando ao público presente tamanha emoção, que os gritos, aplausos e vibrações terminaram por prejudicar os remates que no momento se realizavam, mesmo estando afastados do local de provas”. ... “Não houve, até então, na história das exposições de animais de Esteio, uma das mais respeitadas pela excelente organização e administração que sempre teve, momento algum semelhante ao que os Crioulos, ao disputarem o Freio de Ouro, proporcionaram em termos de atração”.

     

      Mister ressaltar que, antes mesmo da realização desta primeira prova funcional com cavalos crioulos, houveram “ensaios”, se assim os podemos chamar, no que tange a realização de provas de rédeas junto à exposições morfológicas.

     

      E com o propósito de voltarmos um pouco mais ao tempo e à história, e pesquisando a extensa bibliografia que possuímos acerca da raça crioula, trazemos a lume que as provas funcionais, embrionárias para que naquele ano de 1982 houvesse a realização da primeira edição do Freio de Ouro, tiveram como berço a cidade de Jaguarão. A Revista Raça Crioula de 1978 trazia como título de reportagem: EXPOSIÇÃO FUNCIONAL DE CAVALOS CRIOULOS DE JAGUARÃO FOI SUCESSO. Dizia a reportagem: “Destacar as características funcionais do Cavalo Crioulo, foi, sem dúvida, o principal objetivo dos criadores de Jaguarão ao realizar a 1ª Exposição Funcional de Cavalos Crioulos, no parque de exposições daquele município.” Continuava a matéria: “Aliar a beleza às qualidades funcionais em provas típicas da lida do campo, de destreza de boca etc., foi o sentido da exposição, que teve como jurado o veterinário e crioulista uruguaianense Flávio Bastos Tellechea. O critério de julgamento, basicamente, considerava 50% as condições exteriores e 50% as suas funções na lida do campo.” Utilizando estes parâmetros de julgamento, o consagrado criador Flávio Bastos Tellechea apontou como vencedores desta 1ª e histórica exposição funcional de Jaguarão, os seguintes animais: Grande Campeão e 1° Prêmio Pastores de Freio o chileno Pozo Azul Chacao, exposto por um consórcio de criadores de Jaguarão/RS; Reservado de Grande Campeão, Mensageiro da Felicidade, exposto por José Antonio Azeredo Lemos, Pinheiro Machado/RS; 3° Melhor Cavalo, Lisojero Cencerro, exposto pelos criadores Fernando Rodrigues Affonso e Luiz Carlos Cassal Albuquerque, de Jaguarão/RS; e, 1° Prêmio, categoria redomões, Micuim Destes Pagos, exposto por João Roberto Azevedo, Pinheiro Machado/RS.

     

      Portanto, pela grandiosidade a que chegou a prova Freio de Ouro, de forma alguma poderíamos deixar de enfocá-la. Assim, quem tiver a oportunidade de assistir ao vivo este evento lá em Esteio, ou acompanhar via televisão (Canal Rural), se certificará do que ela representa para a raça crioula.

     

      Até a próxima, se Deus quiser!

Rafael Gargioni Paim é colaborador do nosso site desde 08/09/2006 e já possui 1 publicações em nosso Portal nas categorias: Crônicas
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   08/09/2006 - Cavalo Crioulo
 
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